10 dezembro, 2010

Amazônia internacionalizada: Verdade ou alucinação coletiva?

Afonso Tresdê 

 

No nerdcast 78 eu soltei uma “bomba”. Tenho certeza que deixei muita gente com o cérebro exposto ou, na mesma proporção, me acharam um maluco-doido-insano. Pois é, eu disse que a Amazônia estaria “loteada”, com zonas de acesso restrito e de posse de organização/governos internacionais. Muito bem, aqui estou eu para dissertar um pouco mais sobre este assunto um tanto quanto conspiratório, assim dizendo, e MUITO SÉRIO, e também já estou me preparando pra ser preso em breve.
O assunto surgiu num papo informal com amigos em Petrópolis, cidade serrana do Rio de Janeiro. Estávamos conversando sobre uma imagem veiculada via e-mail na época, que trazia um mapa do Brasil, onde a Amazônia era mostrada como “zona internacional”. A suposta figura teria sido retirada de um livro escolar de uma escola americana, mas logo foi desmascarada, sendo criação de um pesquisador do Centro de Filosofia e Direitos Humanos – IFHC – da Unicamp.
Em meio à discussão, um dos presentes soltou a seguinte pérola: “o mapa pode até ser falso, mas a informação não é de toda errada!” (sic). O caro leitor deve imaginar como o conspirólogo aqui reagiu, poupando a descrição. Após uns murmurinhos, o rapaz continuou, dizendo que era parente de um soldado do exército brasileiro baseado em Petrópolis, mas que teria sido transferido com sua companhia para a Amazônia, mais ao sul do estado do Amazonas, junto com boa parte dos soldados do Quartel. (identidades e parentescos serão preservados para impedir retaliações) …. -. / .. … / .- .-.. .. …- .
Após passar alguns meses no novo quartel no norte do país o soldado “João” volta para Petrópolis, contado para umas poucas pessoas o que havia presenciado. Segundo “João”, em muitas de suas rondas pela ‘rainforest’ se deparou com cercas e guardas em porteiras, em determinados lugares, com acesso restrito, ou “restrict access”, onde na verdade seriam áreas desabitadas e de posse do governo brasileiro ou até reservas indígenas. Era comum ver ingleses, americanos, holandeses, japoneses… perambulando pela mata e dentro desses terrenos.
Alguns de vocês devem estar pensando, assim como a controversa matéria da Veja (considerada por comunicólogos como uma revista algumas vezes tendenciosa), que isto seria uma coisa boa. A matéria inicia-se da seguinte forma:
“Se o interesse e a presença de estrangeiros na Amazônia fossem mesmo o problema que tanta gente gosta de levantar, seria tarde para tomar alguma providência. Mais de 10 000 pessoas de nacionalidade não brasileira já vivem ou freqüentam regularmente a região, compondo uma comunidade com formação intelectual suficiente para governar a área provavelmente com mais bom senso do que fazem muitos dos políticos locais. Nessa turma há jornalistas, executivos, estudantes, militares, ambientalistas e principalmente cientistas pesquisando as características e os benefícios que se podem obter da biodiversidade da floresta. Para desgosto de madeireiros que acabam de lançar uma campanha de outdoors xingando os militantes do Greenpeace de bêbados e de generais que chegam a recusar ajuda internacional para combater incêndios florestais, o fato é que essa gente contribui mais para o desenvolvimento do país e da região do que boa parte dos proprietários de terras e instrutores de manobras lotados na área.” Leia na integra a matéria.
Mas parem para pensar! Invasão de divisas, tráfico (SIM!), roubos de metais e pedras preciosas, pesquisas ilegais e, pasmem, COMÉRCIO ILEGAL DAS TERRAS seriam coisas boas para o nosso país?
Há uma vertente de conspirólogos brasileiros que vai mais além. Alguns afirmam que a Internacionalização da Amazônia tem um papel estratégico na implantação da Nova Ordem Mundial (assunto pra uma outra coluna), e que os Estados Unidos vem se preparando desde 1816 para assumir o controle do território e de suas riquezas naturais. Mas isso não vem ao caso agora.
O site Brasil.iwarp.com, bastante nacionalista, administrado por oficiais da reserva do exército brasileiro, tem vários textos falando sobre este assunto, inclusive um dos textos afirma que tudo começou quando o FMI, na época do governo Collor, “forçou” o governo a demarcar um imenso território de 94 mil quilômetros quadrados como reserva ianomâmi, para que futuramente a Nação Ianomâmi proclamasse independência e pedisse intervenção da ONU. O resto da história vocês podem deduzir. (fonte: Conspirações. ARAN, Edson. Ed. Geração Editorial).
Eu seria ousado em dizer que existe uma MEGA CONSPIRAÇÃO para abafar e/ou apoiar esta empreitada estrangeira, com apoio de veículos de informação e gente infiltrada no governo! O fato é tão sério que uma repórter do JB iniciou uma investigação sobre o caso (leia matéria) mas nunca mais ouviu-se falar dela nem de sua investigação.
O Blog www.oykosmiguel.blogspot.com publicou no último dia 2 de outubro uma matéria animadora no sentido de combatermos essa invasão:
“Audiência Pública em Manaus vai debater venda de terras na Amazônia por ong britânica.
Na quarta-feira, 03 (de outubro), no plenário da Assembléia Legislativa, em Manaus, será realizada uma audiência pública sobre a venda de terras na Amazônia através do site www.coolearth.org, pertencente a uma ong britânica que alega ter comercializado 29.107 acres de áreas florestais, o que equivale a cerca de 110 mil quilômetros quadrados na região.
Esses números representam 65% do total de áreas amazonenses, que hoje estão sendo disponibilizadas por meio do site, sendo que os demais 35% das terras à venda são oriundas de áreas do Equador. No Estado do Amazonas, essas áreas são próximas ao Arco do Desmatamento, que abrange a área sul do Estado, onde o desflorestamento é maior.
Representantes do INCRA, IBAMA, ITEAM, Ministério Público Federal, Polícia Federal, SIPAM e inúmeras instituições governamentais e não-governamentais que atuam na proteção da Amazônia garantem presença num debate que promete desdobramentos em prol da soberania do Brasil.”.
Obs: Se vocês entrarem no site que a matéria se refere, verão que realmente vende-se ‘pedaços’ da Amazônia.
Outro relato assustador extraído de uma matéria do jornal “O Democrata”), conta fatos presenciados por um rapaz que passou em um concurso público federal e foi trabalhar em Roraima. Relato o qual, foi endossado por um professor da Universidade Federal de Manaus, parente de um amigo meu.
Trata-se de um Brasil que a gente não conhece.
As duas semanas em Manaus foram interessantes para conhecer um Brasil um pouco diferente, mas chegando em Boa Vista (RR) não pude resistir a fazer um relato das coisas que tenho visto e escutado por aqui.
Conversei com algumas pessoas nesses três dias , desde engenheiros até pessoas com um mínimo de instrução.
Pra começar o mais difícil de se encontrar por aqui é roraimense. Pra falar a verdade, acho que a proporção de um roraimense para cada 10 pessoas é bem razoável; tem gaúcho, carioca, cearense, amazonense, piauiense, maranhense e por aí vai.
Na única rodovia que existe em direção ao Brasil (liga Boa Vista a Manaus, cerca de 800 Km), existe um trecho de aproximadamente 200Km (reserva indígena de Waimiri Atroari) por onde você só passa entre 6:00 da manhã e 6:00 da tarde. Nas outras 12 horas a rodovia é fechada pelos índios (com autorização da FUNAI e dos americanos), para que os mesmos não sejam incomodados.
DETALHE: Você não passa se for brasileiro. O acesso é livre aos americanos, europeus e japoneses. Dos 70% de território indígena, diria que em 90% dele ninguém entra sem uma grande burocracia e autorização da FUNAI.
E pásmem, americanos entram na hora que quiserem; se você não tem uma autorização da FUNAI, mas tem dos americanos, então você pode entrar.
A maioria dos índios fala a língua nativa além do inglês ou francês, mas quase ninguém fala português. É comum na entrada das reservas encontrarem-se hasteadas bandeiras americanas ou inglesas. É comum se encontrar por aqui americanos tipo nerds caçando borboletas e joaninhas para catalogá-las, mas, se você quiser montar uma empresa para exportar plantas e frutas típicas como cupuaçú, açaí, camu-camu, etc., medicinais ou componentes para fabricação de remédios, pode se preparar para pagar Royalties para empresas japonesas e americanas que já patentearam a maioria dos produtos típicos da amazônia.
Por três vezes repeti a seguinte frase após ouvir tais relatos: É, os americanos irão acabar tomando conta da Amazônia… e em todas elas ouvi a mesma resposta em diferentes palavras. Irei reproduzir a resposta de uma senhora simples que vendia suco e água na rodovia próximo de Mucajaí:
- Irão não, meu filho, tu não sabe mas tudo aqui já é deles. Eles comandam tudo… Você não entra em lugar nenhum porque eles não deixam!!! Quando acabar essa guerra aí eles virão pra cá e vão fazer o que fizeram no Iraque quando determinaram uma faixa para os curdos onde iraquiano não entra. Aqui vai ser a mesma coisa.
A dona é bem informada, não?!
O pior é que segundo a ONU, o conceito de nação é um conceito de soberania e as áreas demarcadas têm nome de nação indígena, o que pode levar os americanos a alegar que estão libertando os povos indígenas.
Fiquei sabendo que os americanos já estão construindo uma grande base militar na Colômbia, bem próximo da fronteira com o Brasil numa parceria com o governo colombiano com o pseudo objetivo de combater o narcotráfico.
Por falar em narcotráfico, aqui é rota de distribuição, pois, essa mãe chamada Brasil mantém suas fronteiras abertas e aqui tem estrada para as Guianas e Venezuela. Nenhuma bagagem de estrangeiro é fiscalizada, principalmente se for americano, europeu ou japonês (isso pode causar um incidente diplomático).
Pergunto inocentemente às pessoas, porque os americanos querem tanto proteger os índios? E a resposta é absolutamente a mesma:
- Porque as terras indígenas, além das riquezas animais e vegetais, da abundância de água, são extremamente ricas em ouro (encontram-se pepitas que chegam a ser pesadas em quilos), diamante, outras pedras preciosas, minério e nas reservas norte Roraima e Amazonas, ricas em PETRÓLEO!
Parece que as pessoas contam essas coisas como num grito de socorro a alguém que é do sul, como se eu pudesse dizer isso ao presidente ou a alguma autoridade do sul que vá fazer alguma coisa.
É pessoal… Podemos ter certeza de que em breve o Brasil irá diminuir de tamanho. Será que podemos fazer alguma coisa?
Texto de: Juliana Moreira
Extraído de “O Democrata” edição de 16 de outubro de 2004.”
E aqui segue o “endosso” do texto acima:
“Loscar, infelizmente… é verdade. Tenho um aluno na faculdade (CIESA) que durante muitos anos trabalhou na EMBRATEL e viajou pelo interior do Amazonas. O mesmo, em conversa comigo, falou que viu alemães com diamantes nas mãos…. Ele, para realizar manutenção na antena que fica na floresta, precisou da presença do Exército (um oficial o acompanhava) e teve de pedir permissão para uma ONG Alemã (que se encontra no território brasileiro) para adentrar a mesma e realizar a manutenção… Os deputados federais sabem disso mas, não sei por que razão não fazem nada… Precisamos descobrir como são esses “acordos entre o Brasil e as ONGS”. Creio que você, estrategicamente bem localizado” pode conseguir algo por aí”.
Infelizmente, como toda teoria conspiratória, não tenho como provar 100% do que digo, afinal não são relatos pessoais, mas sim de terceiros. Porém acho que deixei aqui bastantes indícios de que a conspiração (ou seria fato?) existe e me assusta. Deveria assustar vocês também!
Só pra registro, a área correspondente à Amazônia não tem fotos de alta resolução no Google Maps. Apenas as áreas oficialmente particulares e os grandes centros da região tem fotos detalhadas.
Colaborou: Loscar Affonso
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