Mostrando postagens com marcador Cenários. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Cenários. Mostrar todas as postagens

10 novembro, 2010

A TORRE - Parte 2


Escrito por Gustavo Aquino dos Santos

 
      As intermináveis horas se arrastavam lentamente. Cambaleante, Rídur seguia, trazendo em seu íntimo o ardente desejo de vislumbrar, mesmo que uma última vez, as paragens de sua terra natal. Com a alma transtornada, alquebrada pelas aterradoras visões que a guerra lhe proporcionara, ele cruzou as extensas planícies de Tuanar, deixando as agruras da batalha para trás; e antes que pudesse ter percebido, ele já havia se perdido. Lentamente, seus passos vagarosos o conduziram a uma terra estranha e deserta: uma região além das distantes colinas assombradas de Kithäe-Ür, cujas quais, aparentemente, não haviam sido desenhadas em nenhum mapa. E sombras sinistras se adensaram em volta do guerreiro errante.
      Os olhos cansados de Rídur olharam ao redor. Ele pôde perceber, na medida em que sua visão contemplava o estranho cenário no qual ele estava, que tudo naquela terra, odiosamente estranha, era louco como um sonho de um deus. Rídur já não mais podia distinguir o sol, ou a lua; já não sabia por quanto tempo seus pés haviam palmilhado àquele caminho, ou, se já haviam se passado horas ou dias. Seus sentidos, sua sensibilidade, seu senso de direção estavam abalados, norteados de puro estupor.
      As longas pradarias áridas, descortinadas por seus olhos esgazeados, ondulavam de maneira peculiar, como se toda a terra fosse feita de um grande oceano insalubre de areia e sal. Tudo o que Rídur ouvia era distorcido por sua mente abalada. As estrelas giravam na abóbada do firmamento. Seus passos cambaleantes já não eram mais controlados por sua vontade e, não obstante, eles seguiam sempre em frente. O terreno árido e desértico, cujo qual ele se encontrava, foi se distanciando pouco a pouco no horizonte turvado; e então os galhos ávidos e retorcidos de uma floresta escura saudaram-lhe o caminho à frente. Por longas horas, e infindáveis dias, Rídur seguiu sem em nenhum momento esmorecer, pois durante sua interminável andança, ele não sentira fome, sono ou cansaço.
      Rios e riachos, ele cruzou. Pântanos estagnados e colinas escarpadas, ele atravessou. E, cada vez mais, seus pés se aproximavam das plagas misteriosas do leste, onde nenhum homem deveria ir. Em seus ouvidos um chamado fraco ecoava: uma voz distante, porém clara e límpida o comandava; doce, suave como as harpas douradas das fadas e mais profunda e melodiosa do que os clarins dos elfos.
      Lentamente, o céu sob sua cabeça encheu-se de nuvens negras e frias. De repente, gotas gélidas caíram da abóbada acinzentada. Cruzando uma pequena orla de troncos enegrecidos, Rídur parou. Ao olhar para cima, uma exclamação de súbita e inesperada surpresa escapou de seus lábios ressequidos: à sua frente, a alguns metros da orla de troncos, uma grande torre, com seu topo branco e imponente tocando os céus, podia ser divisada. A prodigiosa construção de basalto branco, que emergia diante dos olhos assombrados do fascinado guerreiro, contrastava com céu nublado. As gotas cristalinas da chuva fina banhavam as milhares de madrepérolas e gemas que se destacavam em sua superfície reluzente. Instintivamente, no momento em que os olhos negros de Rídur pousaram sob àquela misteriosa torre, ele soube, em seu mais profundo íntimo, que tanto a torre, como os desenhos rúnicos e arcaicos entalhados nela, não haviam sido feitos por mãos humanas.
      Com a vista ofuscada, devido ao estonteante brilho do basalto, Rídur, espantado, esfregou os olhos e, por alguns instantes, duvidou do estado de sua sanidade mental. Então, inesperadamente, um som vigoroso envolveu o ar, tão sutil como uma brisa ligeira, que traz em seu perfume imagens de praias brancas e gramados sempre-verdes, um canto harmonioso chegou aos seus ouvidos. E Rídur, em meio ao universo mágico daquela melodia, pôde reconhecer uma pujante voz feminina. A voz, solene e delicada, sacudiu o âmago de sua alma e lhe despertou um desejo avassalador de entrar na misteriosa torre e tomar em seus braços ávidos, e sedentos, a detentora daquele cantar miraculoso. O desejo de contemplar àquela que cantava passou a atormentá-lo como a dor de uma agonia física e, valendo-se de resoluta vontade, Rídur seguiu em seu objetivo: decidido, ele iria adentrar na torre dos prodígios.
      A determinação dinâmica do guerreiro fez com que ele galgasse os primeiros degraus externos da construção. De pés firmes, Rídur tocou os degraus cristalinos da torre. No exato momento em que suas botas de couro tocaram o chão crestado da entrada, as imensas portas de jade-esverdeado se abriram. Desconfiado, resguardado em relação aquele ambiente estranho, ele adentrou na torre fantástica e, subitamente, todos os seus sentidos despertaram; Rídur, agora, estava mais vivo – de certa forma, atento novamente. O antigo estado de torpor e inércia, que o haviam trazido até aquele lugar, desapareceram. Entretanto, era ainda evidente que um estranho poder operava sobre o guerreiro: uma estranha e sobrenatural força ainda o enfeitiçava. Mas, agora, de espada na mão, ele estava pronto: perigoso, desperto, arisco como um lobo cinzento que se depara com um ambiente que lhe é hostil; pronto para matar ou morrer.
      Com o caminhar furtivo, Rídur adentrou pelo grande salão dourado cujos inúmeros corredores lustrados abriam-se à sua frente como um magnífico labirinto; ele observou as grandes e maciças colunas, grossas, nodosas como troncos jovens de árvores, que sustentavam o peso descomunal da imensa torre. Valendo-se de movimentos silenciosos, Rídur dirigiu-se cautelosamente até uma enorme sala, de onde ele pôde captar, de relance, um estranho brilho dourado bruxulear entre a entreaberta porta, de entalhes de bronze, que conduzia a uma grande câmara hexagonal. Curioso, ele forçou a pesada porta, e, de repente, seus olhos escuros encheram-se de luz devido ao fulgor resplandecente dos milhares de tesouros que jaziam esparramados pela extensa câmara. Aturdido pelo estonteante brilho das pedras reluzentes, Rídur pôde ver as miríades de gemas preciosas que jaziam aos seus pés trêmulos. Ele vislumbrou o mundo de jóias e riquezas incomensuráveis que se apresentava à sua frente: um mundo onde os mais variados tesouros resplandeciam em baús ornados de prata.
      Aparvalhado, zonzo, confuso, acreditando piamente que sua mente delirava, Rídur se agachou em direção à pilha de gemas na esperança de tocar alguma daquelas maravilhas, apenas para ter a derradeira confirmação de que tudo aquilo que seus olhos descortinavam era real. Seus dedos trêmulos rapidamente apanharam um grande rubi, e seus olhos se puseram a contemplar o belicoso brilho carmesim que emanava da perfeita pedra avermelhada. Ouro e prata, isso nunca havia passado em seus pensamentos: Rídur nunca havia cobiçado tais coisas. Tudo o que seu coração tempestuoso ansiara era a força para empunhar uma arma, e uma linha reta em direção aos seus inimigos. Ele ignorava as futilidades, as ambições vazias de reis e homens. No entanto, ali, naquela silenciosa e brilhante câmara, diante daquele extenso mar de riquezas e sonhos, uma estranha cobiça havia despertado em seu coração; Rídur se preparou para saciá-la. A pequena bolsa de couro amarrada firmemente em volta de sua cintura foi aberta. Suas mãos grossas e ávidas se prepararam para despojar os valiosos tesouros que estavam ao seu alcance.
      Então, um frio repentino subiu sua espinha. Uma sensação incômoda, como se algo espreitasse a suas costas, assomou-se em sua intuição selvagem de guerreiro. Rídur, por alguma razão inexplicável, sabia que corria perigo. Suas mãos deixaram de lado a pilhagem dos tesouros para apertarem firmemente o cabo da espada; e ele, em um átimo de segundo, girou seu tronco em forma ofensiva. O som cortante do aço, assobiando no ar, ecoou pela grande câmara; um guincho inumano reverberou, o jato escarlate jorrou no ar, e Rídur, perplexo, viu a grande cabeça amorfa de um ser escuro e peludo cair entre as jóias e os baús prateados.
      Com os olhos assombrados, Rídur viu o grotesco corpo sem vida agonizar à sua frente, porém, sua mente acelerada não teve tempo para formular conjecturas, pois outra criatura sombria saltou em sua direção. Entretanto, com um rápido lance de olho, ele antecipou a investida das garras sinistras da coisa e, com estonteante destreza, desceu velozmente a lâmina opaca de sua espada; um lampejo prateado faiscou. A lâmina afiada decepou o braço peludo da fera na altura de seu hediondo ombro. A besta, moribunda, cambaleou e caiu. Uma enorme poça de sangue e visco se formou no local de sua queda.
      Em total estado de selvageria, o guerreiro aguardava mais um ataque repentino. Com o peito arfando, de pernas arqueadas e com a espada suja de sangue em riste, Rídur era como uma estátua bárbara dos Reis do Passado; sua alma selvagem era como uma força primordial inconquistável, e desejava infligir o máximo de dano possível em seus adversários. Então, inesperadamente, seus olhos rubros de combatividade foram gradativamente sendo envolvidos pela luz tênue que emanava de uma forma feminina que entoava cânticos de outrora: a figura de uma deusa, em carne e osso, apareceu à sua frente.
      Os pequeninos pés da singela e delicada figura desceram calmamente as escadas de cristal do andar superior da torre. Nua, como a Aurora correndo sobre os prados floridos, a deusa se aproximou de Rídur; Seus olhos imortais, perfeitos, impassíveis, encontraram-se com os dele. Os lábios da mulher-deusa sorriram uma malícia atrevida para o guerreiro sujo de sangue. Rídur pôde sentir, como uma agonia que feria sua alma, que todos os contornos da deusa à sua frente eram exuberantes: a cabeleira escura, a epiderme pálida como a neve e o corpo voluptuoso emanavam uma combinação apaixonante de luxúria, loucura e prazer. Os seios desnudos, magníficos como os de uma ninfa, detinham colares de pedras preciosas que repousavam sobre seu alvo pescoço; Seu caminhar leve, calmo, inabalável como uma brisa outonal, inspiraram uma paixão doentia em Rídur: seu sangue desejava ferver.
      — Bravo, meu guerreiro de ferro – soou a voz, clara e cristalina, da deusa. – Vencestes as sombras fatais. Pois bem, diga-me, ó homem das Terras do Sol, o que queres como recompensa? O que queres de mim, a Dama dos Desejos?
      E então, quando aquela voz magnífica entrou pelos ouvidos de Rídur, sua pele se arrepiou em um êxtase alucinante. Por alguns instantes, ele ficou em silêncio: sorvendo, saboreando cada palavra expelida por aquela boca perfeita.
      — Recompensa maior, ó Fada dos Sonhos, seria saber teu nome e de onde vens – respondeu Rídur, finalmente.
      Um riso forçado explodiu dos lábios da deusa em forma humana; ela lhe respondeu com palavras austeras, que viam embaladas de desdém e pura zombaria: não obstante, seu hálito era mais fresco e límpido que um regato das montanhas.
      — Meu nome, ó homem, é Yäira. E de onde eu vim tua mente frágil e enfermiça nunca poderia conceber. Meu espírito é antigo, remonta a Aurora da criação deste mundo infeliz; eu me recordo das noites desprovidas de lua, das manhãs desprovidas de sol; eu vi os pais dos elfos despertarem à beira das águas do despertar. Vi as flâmulas dos exércitos dos odiosos deuses serem desfraldadas frente às portas do Inferno. Por muitas vidas eu vaguei neste mundo. Meu desejo de ir e vir é guiado apenas por minha vontade. Entretanto, jovem criança, eu procuro um senhor; um homem cujo sangue quente fervilha e corre em um corpo de aço. Tu serias esse senhor? Tu serias capaz de ser o senhor daquela que clama por um? Ó, estúpido Rídur, tu serias capaz de domar a tormenta que é Yäira, aquela que nasceu do vazio primordial?
      As palavras ousadas, vociferadas pela mulher-deusa, pouco importaram a Rídur; muito menos ele se atinou pelo fato de seu nome ser conhecido por Yäira. Pois, em seu cérebro frenético, enfeitiçado pela deusa, as únicas palavras assimiladas foram “Senhor” e toda a atenção do seu olhar era dedicado ao corpo nu que pairava à sua frente como um centelha branca, radiante e imperecível. Então, sem se dar conta, em um movimento automático, ele deixou sua espada cair. Seus dedos em forma de garra se espalharam pelos ombros delgados e perfumados da belicosa figura feminina.
      Um profundo e enlouquecedor desatino se apoderou de Rídur. Ele a apertou com violência contra seu peito maciço: a deusa dobrou-se perante a força bruta do guerreiro. Rídur, enlouquecido, tentava atrair os lábios fogosos e provocantes de Yäira ao encontro dos seus, porém, ela era mais rápida e desviava seu rosto radiante abruptamente; um sorriso devasso silvava de seus dentes brancos como o marfim.
      Instigando cada vez mais o homem, ela conseguiu se soltar dos poderosos braços de Rídur e, colocando-se em uma posição ousada, perguntou com um tom de voz inquiridor:
      — Queres possuir meu corpo, bravo guerreiro?
      — Desejo você mais do que o ouro de todas as nações do mundo - bradou Rídur, enlouquecido. - Aquecerei você com o calor de meu sangue.
      A resposta imponente, vociferada pelo guerreiro, agradou Yäira, fazendo com que um sorriso macabro fosse desenhado em seu rosto perfeito; o olhar ousado da deusa se tornou sinistro, malicioso como os de uma víbora.
      — Farias, então, um último sacrifício, ó Rídur? Serias capaz de dar-me um presente digno de uma Rainha? Afinal, quem é o guerreiro que jaz aos meus pés? – perguntou ela, com sua voz doce e harmoniosa.
      — Sacrifício? Mulher, por você eu derrubaria as montanhas! – respondeu Rídur, apertando firmemente os alvos braços de Yäira. – Você pergunta quem é o guerreiro que jaz aos seus pés? Pois eu lhe direi. Sou Rídur, o Alto, o Leão de Irüme! Vamos, peça o que quiser! Pelo fogo e pela morte, eu juro que farei o que me mandar.
      — Homem – respondeu Yäira -, tu não precisara derrubar as montanhas que o repugnante Mahal construiu; muito menos necessitará desafiar a horrenda e antiga morte em seus reinos gélidos e sombrios. Tudo o que eu quero, bravo Rídur, é um pouco da seiva que pulsa em suas veias. Quero aquilo que Ilúvatar concedera a ti, mas, entretanto, não o concedera a mim. Quero que seu sangue corra pelo meu corpo sedento; uma gota é tudo o que peço. Estaria disposto a conceder-me tal graça? Ou tu, Rídur, o Leão de Irüme, és um covarde? Diga-me afinal, quem é o guerreiro indomável que jaz aos meus pés? Quem é o mortal que jaz sob os pés de Yäira, aquela que nasceu do vazio antes da Grande Canção?
      Como que vítima de um derradeiro e maléfico feitiço, Rídur nem ao menos respondeu às perguntas de Yäira; nem mesmo o estranho e insólito pedido feito por ela causou-lhe assombro. Hipnotizado pelo vislumbre daquela beleza pálida, sutil e aterradora, ele, sem titubear, retirou a pesada cota de anéis de malha. Com o torso nu, Rídur desembainhou uma pequena adaga de cobre. Cortou, de forma vertical, seu próprio peito. Gotas escarlates escorreram pelo corte superficial. Os olhos de Yäira faiscaram diante de tal visão. Jogando a pequena adaga no chão, Rídur desatou o nó que envolvia seu cinturão. Ao retirar as grevas que cingiam seus joelhos, ele ficou nu diante da deusa, tal como ela estava dele.
      — Não era isso o que queria, ó Fada dos Sonhos? – bradou o guerreiro, contraindo os músculos de seu peito ensangüentado. – Venha, meu sangue é teu! Beba do sangue daquele que é seu Senhor! Beba daquilo que lhe foi privado!
      Então, ao ouvir a imponente ordem de comando, a deusa perfeita se aproximou; seus lábios quentes, descarnados e belos como um figo recém-cortado, tocaram os de Rídur. Neste momento, no exato instante em que os lábios róseos de Yäira tocaram os dele, seu corpo estremeceu; um êxtase avassalador, inexplicável, inundou todos os seus sentidos, sua pele ferveu de paixão e desejo. Com um gesto brusco e selvagem, Rídur agarrou os cabelos escuros e sedosos da deusa, e atraiu seu corpo abrasador junto ao dela; como dois animais, sedentos de paixões animalescas, eles rolaram pelo chão dourado do grande salão. Yäira, embevecida de loucura e prazer, agarrou com força o pescoço taurino de Rídur e levemente direcionou seus lábios em direção ao peito largo do guerreiro, de onde escorriam as copiosas gotas rubras de sangue.
      Ela beijou, mordeu e sugou as gotas de carmesim que desciam do corte. O ápice, o derradeiro gozo do prazer percorreu todo o corpo de Rídur naquele momento; sensações indescritíveis infestaram seu ser. Sua alma caminhava longe, palmilhando um extenso caminho de delícias. Yäira, tomada de furor, gemia de forma inumana – como que se estivesse saciando uma fome, que a muito lhe havia sido privada do alcance. Apertado sua robusta ilharga, ela envolveu seu corpo junto ao de seu amante: envolvendo-o à moda de uma víbora estranguladora. Então, pouco a pouco, o prazer que percorrera o corpo de Rídur foi desaparecendo, transformando-se, gradativamente, em uma dor excruciante e insuportável. Algo parecia perfurar seu corpo. Inesperadamente, ele sentiu os longos dentes caninos de Yäira rasgarem sua pele; ao mesmo tempo em que unhas pontiagudas foram cravadas com violência em seus ombros. Uma força monstruosa, descomunal, havia se apoderado dos membros belos, delgados e femininos, da deusa. Rídur não conseguiu se livrar daquele abraço terrível de paixão e morte.
       Os sons dos corpos se digladiando aumentava e, de forma zombeteira, um riso profano sibilou dos lábios ensangüentados de Yäira. Rídur, tentando desesperadamente escapar das garras sinistras da deusa, segurou com violência os cabelos dela, no entanto, imediatamente, ele sentiu os tufos da sedosa cabeleira escorrerem em suas mãos trêmulas. Então, com os olhos arregalados de terror, ele viu o corpo da deusa, outrora formoso e deslumbrante, transformar-se em uma forma horrenda, escura e peluda, de um demônio além da racionalidade dos homens.
      A forma profana e grotesca do monstro lembrava, em seus mais sórdidos contornos, a silhueta de um grande macaco encurvado. E Rídur, pasmo, envolvido em uma sensação de nojo e asco, sentiu o cheiro nauseabundo e fétido que emanava daquele ser tenebroso e maldito. A dança macabra pela sobrevivência se iniciou, e girando o corpo, numa vã esperança de escapar das mordidas venenosas e das garras dilaceradoras, Rídur empregava toda sua força leonina contra o demônio.
      Os brados de fúria da besta ecoavam pelo grande salão, e o guerreiro, embaixo daquela grande massa escura e disforme, empenhava sua tenaz resistência contra a força titânica do bestial macaco encurvado; e a morte o errava por margens diminutas. Então, aliado a um inesperado golpe de sorte, Rídur conseguiu se desvencilhar do monstro e, com um movimento destro, agarrou a espada que jazia jogada no chão; e rapidamente, com uma esquiva ágil, ele aderiu uma postura ofensiva: a espada em riste, o torso projetado para frente e o olhar cinzento esgazeado; o guerreiro, com a espada entre as mãos, estava frente-a-frente com o horror infernal que habitava a torre. O demônio, por sua vez, vendo o brilho do aço relampejar e tendo os olhos desafiadores à sua frente, sorriu com terrível crueldade e sua voz gutural falou:
      — Muitos caíram aqui, ó homem – disse a voz ululante do ser repulsivo. – Guerreiros poderosos, elfos, homens e anões. Todos foram enfeitiçados pelos meus encantos; e todos morreram perante o meu abraço. Tu, em breve, farás companhia a eles; tu, Rídur, serás uma sombra, um escravo, um espectro de minha vontade. Me entregue tua alma e prepare-se, ó homem.
      Com a velocidade de um raio ofuscante, a besta medonha investiu. Rídur, no mesmo instante, tomado de puro terror, recuou seus pés e, com os músculos tesos, lançou sua espada com toda a força que seu corpo pôde exprimir: a lâmina opaca zuniu ao atravessar a extensa sala e um baque seco indicou que o trajeto da arma havia encontrado seu fim. O odioso e nojento sangue escuro lavrou o chão: a espada, lançada como um projétil pelas mãos pesadas de Rídur, fora cravada no pescoço nodoso do demônio.
      O monstro sacudiu seu corpo repulsivo, e, com a espada profundamente enterrada, agonizou por alguns instantes. Então, após o último gorgolejar agonizante, a vida se esvaiu daquele ser que fora conhecido como Yäira. Porém, inesperadamente, a torre de basalto sacudiu em seus alicerces profundos; e imediatamente, ao reconhecer o derradeiro sinal da derrocada daquele lugar nefasto, Rídur concluiu que o que sustentava a torre era a mágica do ser amaldiçoado que jazia morto aos seus pés.
      Ruindo, rápido como a confirmação de seus pensamentos, as grandes colunas fenderam-se. Desenfreado, Rídur correu em direção à saída. Nu, ofegante e suado, ele seguiu com estonteante velocidade pelos tortuosos e estreitos corredores e, ao cruzar as esverdeadas portas de jade, a imensa torre envergou e, dobrando-se como papel ao vento, desmoronou em milhares de pedras brilhantes.
      No exato momento em que se jogou porta afora, Rídur, ao cair sob a turfa macia, levou as mãos à cabeça; na tênue esperança de evitar os milhões de fragmentos rochosos que iriam voar devido à fenomenal queda da construção imponente. Entretanto, para o seu derradeiro espanto, nenhum pedaço de detrito fustigou seu corpo; de fato, nem mesmo o estrondoso som, que racionalmente deveria ter ressoado com a derrocada da torre, havia chegado aos seus ouvidos. Intrigado, Rídur se levantou da turfa úmida. Ao olhar para trás, seus olhos contemplaram, para a sua mais insana loucura, que não havia nada! Nenhuma torre ou construção, apenas uma clareira lúgubre e vazia iluminada pelo feixe de luz de um luar abjeto, agourento.
      Diante do medonho fato enlouquecedor, que agora seus olhos arregalados descortinavam, Rídur sentiu uma sensação sinistra pairar à sua volta. “Bruxaria” foi a palavra que, involuntariamente, escapou de seus lábios balbuciantes. Sua pele formigou de pavor, porém, desta vez, ele não ousou duvidar de sua sanidade; Rídur sabia, perfeitamente, que uma vontade maléfica o havia trazido até aquele lugar e que as sombras sinistras ainda o espreitavam com suas garras pontiagudas e fatais. Então, perante a esse pensamento tenebroso, ele disparou. Abraçado pela escuridão noturna, com passos céleres ele seguiu; como um louco ele continuou em frente, correndo, perseguido por um inimigo intangível e inabalável: o medo.
      O guerreiro assombrado seguiu em sua corrida cega; por dias Rídur correu, sem cessar. E seus pés vacilantes e extenuados só pararam quando ele alcançou as fronteiras das terras ocidentais, pois lá, diziam os mais sábios, os fenômenos eram, ainda, racionais e o dedo gelado do Antigo Inimigo do Mundo ainda não havia alcançado os sonhos das mentes sãs dos homens. Um Inimigo incompreensível, cujo qual o demônio que habitara a torre fora apenas um servo; um escravo, atraído pela sua majestade e poder de outrora.

06 novembro, 2010

E SE… Os Nazistas Ganhassem a II Guerra Mundial?


Hoje irei lhes apresentar um mundo ficcional baseado nos eventos da 2° Guerra Mundial, porém com algumas modificações. Então, e se os nazistas ganhassem a II guerra mundial.

Desembarque na Normandia, dia 06 de junho de 1944, Dia D. As tropas aliadas colocam toda a sua esperança de acabar com a guerra nesta operação. A França já estava invadida desde 1940. A intenção era enviar quase 3 milhões de soldados através do canal da mancha até as praias francesas, expulsar os alemães da França e ir até a Alemanha, atravessando todo o território francês. Mas, estes 3 milhões de soldados Americanos, Ingleses e Canadenses, não esperavam que as praias da Normandia estivessem tão protegidas…


A grande maioria morta na praia, poucos conseguiram se refugiar dos canhões de 155mm franceses (capturados pelos alemães) e das metralhadores mg42 alemães. Esta minoria tentou dar continuação à operação Overlord, mas morreram em poucos dias na França.

Após este evento a Alemanha ganhou forças. As tropas soviéticas cairam devido a falta de recursos. Após a controle total da França os nazistas partiram para a Grã Bretanha, que resistiu fortemente com a ajuda dos americanos e canadenses. Porém, ao mesmo tempo em que a Alemanha ataca a Grã Bretanha ela conquistava pequenos países do restante da Europa e seu poder só crescia. No final de 1945, a Alemanha era a vencedora da II Guerra Mundial e foi criada a OMEN (Organização Mundial dos Estados Nazistas), que serviria para controlar e prover todas as nações aliadas da Alemanha.

A partir de 1950 o quadro mundial era o seguinte: Alemanha dominou quase a Europa toda, exceto por alguns países que insistiam em lutar, sem sucesso. A Rússia teve que se submeter a supremacia alemã para não ser invadida e, provavelmente arrasada. Os Estados Unidos se afastaram do front de combate, reagrupando, reunindo forças e organizando seus aliados, que até o presente momento eram: Canadá, Brasil e demais países da América do Sul e Central, enquanto Cuba estava organizando um acordo com a Alemanha. Os países do Norte da África já haviam sido invadidos pelas tropas nazistas, e os que não tinham ainda sentido a força deles, estavam aos poucos trocando de lado e se aliando as forças nazistas. Os japoneses tentaram com fracasso invadir a China, mas em 1951, com apoio de outros países asiáticos, eles iniciaram uma bem sucedida empreitada, afim de tomar o controle das mais importantes regiões chinesas.

A força contra-nazista, liderada pelos Estados Unidos não chegou a atuar de fato. Vários conflitos após o fim da segunda guerra tiveram apoio dos Estados Unidos e Alemanha, quando qual de um lado do conflito. Foram eles a guerra da Coreia (1950-1953), Guerra do Vietnã (1962-1975), Guerra do Afeganistão (1979-1989). Nestes conflitos as duas nações davam apoio aos conflitos afim de ganhar apoio. Porém, o que decretou mesmo o fim deste conflito foi a crise dos misseis cubanos, onde a Alemanha colocou uma base de lançamentos de misséis em Cuba, podendo assim atingir facilmente os Estados Unidos. O que fez com que os Estados Unidos tomassem providencias mais drásticas contra os nazistas. Depois da derrota dos Estados Unidos na Coréia, Afeganistão e principalmente Vietnã, o presidente Bush desiste do confronto com os nazistas.

A OMEN impôs sua vontade em todos os países que se curvaram ao poder da Alemanha e o mundo se transformou.

A OMEN Controlou totalmente países que poderiam causar problemas futuramente, como Canadá, EUA, Inglaterra, França, Rússia, China e outros. Porém deixou de lado alguns países de 3° mundo, como Brasil, Argentina, México, países da África. A liberdade de imprensa acabou, todas as instituições de ensino foram transformadas em colégios militares, a policia funciona como uma Klu Klux Kan com aval governamental, prendendo negros, judeus, homossexuais inocentes e é claro todos os rebeldes. Cada país ainda pode organizar sua eleição, mas seus lideres não tem o controle total, quem controla é a OMEN.


Porém ainda existe que lute contra a opressão da Alemanha e da OMEN. Nos Estados Unidos, os guetos são esconderijos dos rebeldes, porém eles estão a cada dia perdendo mais suas forças, devido às investidas da SS (tropa de elite nazista). As maiores forças de rebeldes estão concentradas no México, Brasil, Argentina, Afeganistão, Iraque, África do Sul e Austrália. Já que A OMEN subestima estes países, considerados fracos e sem expressão.

Todas as armas e equipamentos que existem na realidade, existem nesse mundo. Apenas a OMEN tem controle de bombas nucleares, apesar de boatos que dizem que países rebeldes estão construindo bombas nucleares secretamente.

Este é um mundo ficcional baseado em acontecementos reais. Me inspirei em um jogo de PS2 (o qual não me lembro nome), onde Nova Iorque é invadida pelos russos e também nos famosos What if… da Marvel. Este mundo de campanha é perfeito para ser jogado com rebeldes. Imaginem este mundo como uma ditadura militar nazista em 90% do globo terrestre.

Fonte: Ogoblin

04 agosto, 2010

A história de Gotham City

Antes de escrever como a história se passa, para muitos escritores é fundamental entender onde ela acontece.
Como primeiro post, acredito ser um bom exemplo de cidade criada no imaginário de um escritor, a cidade protegida pelo homem-morcego.
Segue abaixo uma boa descrição de Gotham City.

Gotham City é um grande centro que já viu dias melhores. O fato de ter 8 milhões de pessoas viverem na área metropolitana é prova de que muitos ainda acreditam no futuro da cidade. Localizada na Costa Leste, seu acesso às maiores frotas mercantes do Atlântio lhe garante importância como porto de escala. Foi fundada em 1635 por um mercenário sueco, o Capitão Jon Logerquist. Ele e vários colonizadores vieram ao Novo Mundo depois da derrota dos exércitos suecos em Nordlingen, fugindo das devastadoras guerras religiosas na Europa. Logerquist deu ao povoado o nome de Forte Adolphus, em homenagem ao grande general sueco General Adolphus. Em 1674, a Nova Suécia foi cedida ao britânicos. O primeiro ato oficial do Governador Geral Adam Howe foi rebatizar o povoado com o nome de Gotham.

Durante a Guerra da Independência, Gotham ficou paralisada por causa das facções rivais - havia tantos conservadores quanto rebeldes na cidade. Tropas britânicas se estabeleceram ali durante a maior parte da guerra. Se a cidade permanecesse sob controle britânico, a Nova Inglaterra poderia ser facilmente separada das outras colônias. Em 1779, um oficial do Exército Continental concordou em liderar um ataque rebelde a um paiol de pólvora e à fabrica de armas adjacente, pois preceisavam desesperadamente de suprimentos. Espiões conservadores alertaram os britânicos, que prepararam uma emboscada. Um mercador de Gotham Darius Wayne, avisou os rebeldes tocando o sino de uma igreja próxima à fabrica. Os rebeldes escaparam, e Wayne foi preso, acusado de traição. A cidade caiu nas mãos do Exército Continental no dia em que o mercador seria enforcado. Como prêmio por seu heroísmo, ele ganhou um lote de terras ao sul da cidade. Assim começou o patrimônio Wayne.

Gotham cresceu rapidamente durante a era do aço e da estrada de ferro. Em 1900, era o principal centro financeiro da Ámerica Norte, só perdendo, a nível mundial, para Londres. Mas, passada fase próspera, a cidade enfrentou problemas como advento do petróleo e dos automóveis. Em 1920, Gotham foi superada por Nova Iorque. Depois da Grande Depressão, caiu para o 3º lugar ficando atrás de Nova Iorque e Metrópolis. Embora mantivesse tal posição, alguns afirmam que sua decadência só diminuiu em meados da década de 70. Mesmo sendo uma grande cidade Gotham ainda sofre os efeitos dessa decadência. Talvez, por isso, seja o único lugar onde Batman poderia ter nascido.

Gotham fica a 2 horas de carro de Metrópolis. A cidade tem 764 quilômetros quadrados e mais ou menos 17 milhões de habitantes. O que pouca gente sabe é que Gotham foi criada à imagem e semelhança da cidade de Nova York. Assim como em Nova York existe a ilha de Manhattan (que é o centro econômico e cultural da cidade), em Gotham City, temos a ilha de Gotham, que exerce a mesma função e é ligada ao continente por várias pontes e túneis. Até a localização dos bairros, pontes, túneis e parques é bem parecida, e os nomes foram adaptados da vida real para a ficção: Tricorner Yards e Parque Robinson de Gotham, por exemplo, equivalem a Tribeca e ao Central Park de Nova York, e assim por diante.

É noite em Gotham City...
Assim começa mais uma história de Batman.
Gotham imersa em sombras, o postal habitual da grande cidade. Se Paris é a cidade-luz, esta é a cidade das trevas. Batman não poderia ser o símbolo que escolheu ser sem as noites pouco estreladas de Gotham.

"Na noite, duas figuras vestindo capas posicionam-se contra o céu escurecido que forma a cortina do grande palco chamado Gotham City..."
Primeira menção de Gotham City nos quadrinhos (Batman 4, inverno de 1941), na história "

BATMAN SCORES A TOUCHDOWN".

Em suas primeiras aventuras, Batman não agia em Gotham, mas nas sombras dos prédios de Nova York. a inspiração obscura de cidade gótica, especialmente suas proporções exageradas, foi idéia de Bill Finger, co-criador de Batman com Bob Kane.

"Gotham City é Nova York abaixo da rua 14, e depois das 11 horas da noite. uma Nova York com ênfase em seus aspectos mais sinistros".
- Denny O'neil

Para aqueles não familiarizados com Nova York, isto inclui os bairros de Greewich Village, Soho, Bowery,Little, Italy, Chinatown e as pontes de Brooklyn e Manhattan. Como Nova York, Gotham possui seus bairros étnicos, seus centros financeiros, seus recantos boêmios e avenidas da moda. entretanto, no azul acidentado por vazamento de petróleo da baía de Gotham não se ergue nenhuma estátua da liberdade, mas um farol gigantesco, esculpido com a silhueta de Batman.

"Gotham City era formada por frias lanças de concreto iluminadas pelo luar, varrida pelos ventos e insondável, desvanecendo-se em nuvens de luzes urbanas, brumas alvas e úmidas...então, em algum lugar daquele labirinto de pedra, ouvia-se, minúscula, mas não abafada, uma vidraça se partir."
- Frank Miller

Aquela era uma cidade de gangsteres, e o homem comum só podia se alegrar se alguém estivesse zelando por sua segurança, oculto na escuridão ameaçadora. e mesmo a polícia, que não aprovara a idéia, gradualmente se curvou numa agradecida admiração por seu vigilante encapuzado.

"Se Gotham fosse uma cidade limpa, Batman seria um psicótico."
- Frank Miller

"Gotham City é o lugar mais corrupto sobre a face da terra."
- David Mazzucchelli

Todos os autores que ajudaram a construir o mito de Batman adicionaram sua marca na cidade, pela maneira como conjuraram a noite, dividiram as nuvens da meia-noite e revelaram a lua.

"Gotham City é uma incrível anomalia de diferentes estilos. nós temos Anton Gaudi (1852, arquiteto espanhol art Nouveau que projetou inúmeras igrejas) esticado em prédios de pedra marrom com fachadas fascistas, entre pontes vitorianas estilizadas."
- Anton Furst, designer do filme Batman.

"Todas as cidades são Gotham City, viveiros de malícia, onde as súplicas dos perdidos são uma inconveniência, onde os inocentes são assassinados por capricho. ainda assim, nós vivemos aqui, em Gotham, e ocasionalmente prosperamos. nós criamos nossos filhos, rimos, celebramos, conquistamos os terrores e, às vezes, os recusamos com atos de decência. seria bom se tivéssemos heróis para nos ajudar. eu tenho caminhado muito por Gotham City, e, em todas as vezes, desejado que alguém mais forte habilidoso estivesse comigo."
- Denny O'neil

"Eu caminho pelas ruas desta cidade que estou aprendendo a odiar, a cidade que se rendeu, como todo mundo parece ter feito."
- Batman, segundo Frank Miller.



BAIRROS DE GOTHAM CITY

Diferente de outras grandes metrópoles, Gotham não está subdividida em distritos. A cidade é, na verdade, um conglomerado de bairros cujos limites às vezes se confundem. 



CENTRO FINANCEIRO DE GOTHAM 

Ele reflete ainda os seus dias de glória. Os edifícios são monumentos neoclássicos ao passado da cidade. Os bancos, corretoras de valores mobiliários e outras organizações financeiras tem instalações severas e sólidas, quase destituídas de decoração. Entradas com gigantescas colunas e minúsculas janelas dão a impressão de que os seres humanos são apenas detalhes insignificantes das instituições. Os outros edifícios da área suavizam essa impressão, mas não a eliminam. 

Incluídos no Centro Financeiro estão os maiores bancos da cidade e a Bolsa de Valores. Entre os museus mais conhecidos, podemos ainda destacar o Museu Butler de Arte Moderna, o Instituto de Arte de Gotham City e o Museu de História Natural. A maioria dos teatros se encontra nessa área. As Torres Gêmeas de Gotham, com 400 metros de altura, são as construções mais altas da cidade. Muitas emissoras de rádio e televisão têm suas torres de transmissão instaladas ali. 

ZONA LESTE BAIXA 

É contituida de um conjunto de pátios de manobras ferroviárias e casas de operários contruidas entre 1890 e 1900. A maioria dos edifícios não tem mais as comodidades associadas à vida urbana: água corrente, eletricidade, gás ou tv à cabo. Poucos dos trilhos que cruzam a área estã em uso, e o cais já não recebe nenhum tipo de transporte comercial legal. A área está povoada, principalmente, por essas pessoas em trânsito e contrabandistas. 

CELSEA 

Originalmente, a área onde os ricos mantinham suas casas de veraneio. Com o crescimento urbano, eles se mudaram dali e a região entrou em declínio, pelo menos aos olhos dos ricos que já moraram lá. Mas o bairro não se deteriorou, e sua arquitetura varida, aliada aos pequenos pátios internos dos edifícios, atraiu muito intelectuais e artistas locais. Eram pessoas que ainda não podiam se dar ao luxo de viver em outro lugar ou que apenas preferiam estar numa comunidade mais simples. Na última década, Chelsea transformou-se numa área popular habitada por jovens profissionais e artistas. A Universidade de Gotham está situada a nordeste de Chelsea. 

RIO LESTE 

Foi o bairro da moda nos ano30. Os gangsteres e os novos-ricos se misturavam nas festas que, no dia seguinte, preenchiam as páginas dos jornais sensacionalistas. A notoriedade do bairro acabou causando o seu declínio quando gansteres e a lei se confrontaram pelo controle da área. Os que puderam se mudaram dali. Hoje o Rio Leste é um bairro de classe baixa, com um grande número de quadrilhas formadas por jovens.
Foi nessa área que Bruce Wayne foi ferido quando fazia sua primeira noite de reconhecimento, pouco antes de ser tornar Batman. Selina Kyle, a Mulher-Gato, morou nesse bairro. 

BRISTOL 

O bairro elegante de Gotham, é constituido por casas e mansões enormes. As mais ricas são rodeadas por centenas de acres de terra. O bairro é conhecido como playground dos ricos e famosos, dando-se ao luxo de possuir diversos ancoradouros de iates, além da Galeria de Celebridades de Gotham. Surpreendentemente, os moradores de Bristol resistiram à tend^ncia ao esnobismo e muitos participam ativamente de programas públicos. A imponente Mansão Wayne, lar do playboy milionário Bruce Wayne, está localizada em Bristol. 

BRYANTTOWN 

É uma área pobre. Foi, originalmente, um bairro de classe operária que se deteriorou graças ao destino e à má política. Diversos projetos habitacionais para o local foram mal planejados e mal executados. O controle de aluguéis e a ausência dos proprietários agravaram o problema, baixando a qualidade da moradia e aumentanto a quantidade de incêndios criminosos. Para piorar, a Penitenciária, apelidada de "O Cemitério", fez cair vertiginosamente o valor das propriedades e provocou a debandada da maior parte dos cidadãos honestos que ainda residiam na área. 

Recentemente, alguns moradores de Bryanttow tomaram medidas para melhorar o bairro, mas isso representa apenas um pequeno oásis de vida no cenário geral da decadência. 

CHINATOWN 

É mais do que uma atração turística. Permanece uma sólida comunidade chinesa, embora muito de ses habitantes sejam americanos de 3º geração. Mais do que qualquer outro bairro de Gotham, este tem seu próprio padrão de vida. Os moradores não impõem esse padrão aos não-residentes, mas, quando as leis e procedimentos da cidade entram em conflito com a tradição do lugar, eles escolhem seu próprio método de resolver as coisas. O índice de criminalidade ali é um dos mais baixos de Gotham. 

NEVILLE 

As velhas docas e os quartéis mais antigos da marinha britânica foram demolidos ou reformados como parte do projeto de rabilitação de Neville. A maioria das aulas contou com o patriocinio da Fundação Wayne e seu presidente, Bruce Wayne. O edifício da Fundação ergue-se majestoso sobre a vizinhança, que possui algumas das mais badaladas casas noturnas e os retaurantes da moda. As moradias variam de casas a edificios com múltiplos apartamentos.
O Clube Privè Rockslide fica ao norte de Neville, Liliane Stern, a proprietária e outrora companheira de Bruce Wayne, também reside nesse bairro. 

MIDTOWN 

É um bairro em transição, onde se misturam várias etnias. Tendo sido, no passado, a primeira escala para tchecos, poloneses e outros imigrantes da Europa Oriental, a região é, hoje, o ponto de entrada para imigrantes hispânicos e do Sudoeste Asiático. O bairro é residencial, com todos os negócios normalmente encontrados em centros residenciais urbanos. 

A ZONA PORTUÁRIA 

Está entre as áreas de Gotham que mais cresceram na última década. Muitas das docas foram umentadas para receber os novos cargueiros e superpetroleiros, permitindo que todos os navios, exceto os excessivamente grandes, possam atracar em Gotham. O aumento das atividades econômicas incentivou as empresas a investirem em ármazens, e as autoridades a manterem o crime longe da região. Muitas das atividades ilegais que existiam na Zona Portuária foram transferidas para a Zona Leste Baixa, mas alguns criminosos audazes, ou aqueles com negócios legitimos, continuam a operar ao longo dos portos.

As ruas do bairroforam alargadas para facilitar o trânsito de grandes caminhões. Os armazéns são construidos com alumínio e estrutura de aço, entretanto, ainda existem alguns velhos prédios de tijolos. 

Não há residências na Zona Portuária. Somente algumas pessoas em trânsito moram lá. As docas estão equipadas com guindastes e máquinas de terraplanagem usadas para rebocar enormes plataformas de carga. Há dúzias de empilhadeiras em torno das docas, geralmente envolvidas por correntes quando não estão em uso. 

UPTOWN 

Foi a área residencial preferida. Essa posição, porém se perdeu, para Bristol e Neville. Mais do que deteriorado, o bairro se tornou uma miscelânia social. Podemos encontrar profissionais, operários, pequenos comerciantes, ricaços e tipos esquisitos, todos vivendo lá. Hotéis residênciais. Hotéis residenciais que cobram milhares de dólares de aluguel estão próximos a clínicas gratuitas. Uptown é muito tolerante com essa diversificação, e a mistura dos vários tipos de gente faz dele o mais excitante bairro de Gotham. Pelo menos, na opnião das pessoas dali.
Vicky Vale, fotógrafa da revista Photo News e ex-namorada de Bruce, vivia em Uptown. 

BOWERY 

Originalmente uma fazenda pertencente a Jon Logerrquist, o fundador da cidade. Os britânicos a incêndiaram após Logerquist ter se recusado à pagar impostos à Coroa. O líder sueco morreu no incêndio. Depois de sua morte, a reputação de Bowery começou a cair. A maioria de histórias de fantasmas tem origem no bairro. Ao contrário de outros locais, Bowery nunca teve dias de glória. Muito dos mais notórios criminosos de Gotham tiraram vantagem das superstições em torno do lugar para encobrir atividades ilícitas. 

O Beco do Crime, onde os pais de Bruce foram assassinados, está localizado no Bowery. Uma vez por ano, no aniversário da morte deles, Batman patrulha o local, sozinho, e ataca qualquer pessoa que ouse cometer um crime. 

GLENDALE 

Era uma cidade idependente até 1930, quando foi anexada a Gotham. Mantém ainda características de municipio, com correio central, prefeitura e área central. Muitos residentes de Glendale ainda acreditam que o bairro é uma entidade separada e chamam Gotham e "a outra cidade". 

O instituto de Tecnologia Glendale é um dos melhores do país. Os estudantes do Instituto têm rivalidade esportiva feroz, mas sem esperança, em em relação à Universidade de Gotham. 

EVANSTOWN 

Ainda tem uma atmosfera de cidade pacata, com predominância de casas construídas em pequenos lotes e nenhum prédio com mais de 4 andares. O índice de criminalidade é notadamente baixo, e o espírito de comunidade, intenso. Esse bairro tem 4 vezes mais times pequenos do que qualquer outro bairro de Gotham, em diversas modalidades esportivas, incluindo beisebol e futebol. James Gordon mora lá. 

IRVING GROVE 

É um bairro de classe média alta, com desenvolvimento de moradias à beira da Reserva Florestal de Dayton. Essa reserva, agora um parque nacional, foi fundada por Nathaiel Dayton, um rico industrial que quis preservar um pouco dos bosques que, no passado, circundavam totalmente Gotham City. A reserva é um lugar bonito, tranquilo e agradável, com trilhas para ciclismo e excursões a pé. Há também rumores de que os saques de dois dos mais famosos crimes de Gotham estão escondidos ali: o assalto ao carro blindado da DeSilver, em 1974 (U$ 4,4 milhões) e o roubo das jóias reais de Cantão, em 1960 (U$ 3,6 milhões). 

GOTHAM VILLAGE 

Apesar de rebatizado, a característica do bairro é melhor descrita pelo seu antigo nome: Parque Industrial de Gotham. Após uma tentaiva fracassada de atrair novas industrias, a cidade tentou transfomras a região em local para moradias de baixo custo. O número de habitações respeitáveis tem aumentado, mas a área é uma das mais sombrias de Gotham. Diversos habitantes dali preferiram se mudar para Bryanttown.

SOMMERSET 

Esse distrito conserva sua caracteristica sueca. Considerado um encrave nórdico do tempo em que britânicos tomaram a então distante Gotham, Sommerset ganhou sangue novo com as migrações no período de 1880 a 1890 e de 1950 a 1960, o suficiente para manter intacta sua herança. Uma celebração sueca é realizada todo o mês de maio, e o Festival Shakespereano de Sommerset, famoso em todo o país é realizado anualmente de junho a setembro. O evento tem lugar num anfiteatro ao ar livre, que dizem ter sido usado pelos índios pos séculos, antes de Jon Logerquist chegar ao Novo Mundo. Apesar das modernizações que se fizeram necessárias para atrair o público de Gotham, a beleza natural do anfiteatro ainda é evidente. Muitos atores afirmam que há um sentimento especial ali. Ao norte do bairro, numa área remota cobeta de bosques, está o Asilo Arkham para Criminosos Insanos. Uma variedade de criminosos psicopatas está encarcerada no local, iclusive Coringa, Chapeleiro Louco, MR. Freeze, Hera Venenosa, Duas-Caras, etc. 

SCITUATE 

Esse nome é derivado de uma versão inglesa da aproximação sueca de uma palavra indigena, que significa "lago comprido". O pequeno subúrbio deve o seu nome a um lago que secou há muito tempo e abriga, principalmente trabalhadores empregados nas fábricas de Lyntown. O declínio da industria local provocou uma relativa decadência no bairro, que tem como forte instalações esportivas. O Estadio Municipal de Gotham é o lar dos Wildcats, equipe de futebol americano de Gotham. Os Gotham Blades, uma equipe menor de hockey, jogam em Herod Arena. Wayne Field, casa da equipe de beisebol dos Gotham Knights, teve, recentemente suas luzes instaladas, permitindo o primeiro jogo noturno de sua história. O Estádio Dean ficou vazio desde que Gotham Rampage faliu, um time de futebol muito pobre. Contudo, os Gotham Gorillas, da Liga de Futebol da Salão, anunciaram recentemente que tem planos para jogar no Estádio Dean. 

LYNTOWN 

"Lyntown é a fivela do velho cinto!" Essa manchete editorial da Gazeta de Gotham decreve com exatidão o que é o local: de todos os bairros com sinal de deterioração, este é o mais fustigado. Uma área industrial que contém dúzias de fábricas e ármazens abandonados, trilhos reduzidos a contornos de ferrugem e fornalhas que viram suas últimas cargas de carvão há mais de 15 anos. Algumas fábricas ainda estão perando, mas são minoria. 

Esses prédios abandonados são usados para operações clandestinas, tais como refinamento de drogas, desmanche de carros roubados e oficinas para fabricação de armas cujas orignes não podem ser comprovadas. 

VICTORIA PLACE 

É a resposta de Gotham ao Vale do Silicone. Gotham ajudou a financiar essa área, em parte para combater o crescimento de Bowery. Um apanhado de pequenas fábricas e empresas de porte médio, que são postos avançados na fronteira tecnológica, estão instaladas aqui. Elas são mais abertas do que algumas organizações supersecretas e mantém boas relações com o pessoal do bairro e das áreas adjacentes de Manchester e Bristol. 

LITTLE SOCKTON 

Como Lyntown, esse bairro teve como principal atividade, a industria pesada, mas, tentou mudar, optando por uma abordagem no campo da tecnologia de médio porte. As fábricas começaram a se especializar na produção de ítens e equipamentos necessários em outras fábricas ou para uso em pesquisas. Aço de alta qualidade, plásticos especiais e cerâmicas são produzidos nesse local, onde também está localizado o Aeroporto Internacional de Gotham.

MANCHESTER 

É um distrito residencial conhecido pela variedade de restaurantes de cozinhas típicas e pela Via Manchester, a pista de corrida da cidade. Enquanto autoridades fazem o calendário das corridas, as quadrilhas tratam de cuidar do resto. O crime organizado manipula tudo, desde as probalibilidades estabelecidas pelo computador até as próprias corridas. As autoridades fazem uma limpeza periódica na Via, e os criminosos voltam, também periódicamente. 

A mistura étnica desse bairro inclui tailandeses, hispânicos, asiáticos do Suldoeste, turcos e italianos. Essa mesclagem dividiu o bairro em muitos subbairros, cada um guardado zelosamente por sua própria quadrilha de rua. A violência aí aumentou muito nos últimos anos. Todas as quadrilhas consideram a Via uma área neutra. 

CONVENTRY 

É um bairro que está tentando evitar o "caos de Manchester". Infelismente essa atitude ajudou muitos grupos racistas a se refugiarem na área, quando não teriam sobrevivido em outro lugar. Esse bairro é também conhecido pela grande quantidade de casas elegantes, todas abastecidas com armas automáticas para evitar "indesejaveis". Apesar dessa imagem parecer exagerada, é verdade que, em batidas policiais, foram apreendidos mais armamentos sofisticados em Conventry que em Manchester.

O bairro tem 3 instituições notáveis: o Zoológico - o mais antigo do país -, a Biblioteca Histórica Hegler e o Grande Convento. As aquisições de terras patrocinadas pela Fundação Wayne e uma série de bons administradores, mantém o zoológico entre os melhores do mundo, possuíndo a maior coleção de felinos e répteis venenosos do planeta. A Biblioteca Histórica Hegler é um centro de pesquisas. Informações sobre qualquer assunto conhecido podem ser encontradas por lá, assim como manuscritos originais inestimáveis e artefatos de inúmeras escavações arqueológicas, que estão armazenados à espera de uma classificação a ser feita pelos pesquisadores. O Grande Convento é um portentoso agrupamento de edificios que formam o maior mosteiro da América do Norte. A ordem religiosa que o administra está diminuindo em número, e os monges enfrentam dificuldades para manter suas extensas terras em bom estado. 

CHARON 
 
É um bairro construido à base de contrastes. É uma área residencial que tem desde casas até prédios de 15 andares. Grandes avenidas arborizadas, de repente, transformam-se em estreitas trilhas pavimentadas com curvas de todos os tipos concebíveis. A Santa Casa de Misericórdia, o melhor hospital da cidade, está localizada entre Ross Lawn e o Memorial de Gotham, os maiores cemitérios da cidade. O memorial ainda está ativo: bem tratado e meticulosamente projetado, reflete a nova concepção sobre a morte, comum ao século vinte. 

O Rose Lawn encontra-se fechado. Diversas áreas lá dentro ainda são mantidas por grupos religiosos ou fundos particulares, mas sua maior parte está coberta de vegetação. As sepulturase criptas datam de até 1650, e alguns dos primeiros colonizadores estão enterrados ali. A localização isolada transformou o lugar no esconderijo de criminosos que não encontram refúgio em outros pontos de Gotham.