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12 agosto, 2012

Resenha do livro “O estranho mundo de Tim Burton”



“Quando você não tem muitos amigos e nenhuma vidasocial... você se distancia do resto da sociedade; é como se estivesse olhando por uma janela… mas existem muitos filmes bizarros por aí, então você consegue agüentar bastante tempo sem amigos.”
(Tim Burton se lembrando de sua infância)

Este não é, definitivamente, um livro comum. Inicialmente  pensei que era uma biografia e, sinceramente, aguardarei por uma sobre Tim Burton, mas esse livro não trata disso.
“O estranho mundo de Tim Burton” é uma iniciativa louvável da editora Leya que, aliás, vem se destacando pelos lançamentos diferenciados. O público que gosta do trabalho de Tim Burton é muito grande e estava realmente precisando de um livro sobre o diretor e produtor, mais precisamente sobre suas obras e metodologia de trabalho.

Li com absoluto prazer este livro. A leitura é técnica em alguns pontos e se intercala com entrevistas de pessoas ligadas ao cinema, repórteres e até com o próprio Burton.
Resumidamente, o livro aborda todos os filmes produzidos ou dirigidos por Burton até “Alice in the wonderland” (2010). Não há um detalhamento técnico dos filmes, mas isto é substituído por reportagens, entrevistas e artigos da época do lançamento dos filmes, trazendo-nos um conteúdo inteiramente relevante, visto que, com tal material, podemos fazer um comparativo da evolução de Tim Burton como diretor, além de mostrar as nunces do pensamento da sociedade americana em cada período.
Algumas opiniões de época nos mostram um diretor iniciante e, ainda assim, extremamente atrevido – no melhor sentido da palavra -, capaz de nos brindar com o que mais íntimo ele possui: sua mente fértil e alucinada.
Todas as obras de Burton, produzidas ou dirigidas, são um reflexo de sua própria personalidade, em maior ou menor escala, e nos dão uma clara idéia do potencial criativo do diretor.
Outro ponto muito interessante abordado no livro fala sobre as escolhas de Burton dos atores para os papéis em seus filmes. Um dos mais controversos – por incrível que isso possa parecer hoje – é a escolha de Johnny Depp para o papel título do filme Edward Mãos de Tesoura:

“”Edward Mãos de Tesoura” é um dos trabalhos mais originais, arrebatadores, românticos e charmosos que surgiram da índústria de cinema americana em décadas. Infelizmente, suas qualidades únicas tendem a ser esquecidas pelos críticos em detrimento de seu tema fantástico e a inteligente escolha de Johnny Depp para o papel título (isso ofendeu tanto alguns críticos, que foi dito que era impossível determinar se Depp era ou não bom ator por causa das poucas falas que tinha, um julgamento que faz que o Frankenstein de Boris Karloff também não seja uma atuação).”

Há muitas passagens que esclarecem o leitor sobre o pensamento de Burton, inclusive entrevistas dele, mas não há nada pessoal (como em um biografia) e a falta disso pode ser sentida pelos fãs mais ardorosos. mesmo sem trazer prejuízos ao conteúdo em si.

Visualmente, temos uma obra bastante interessante, porém escassa. A capa remonta à sua produção mais recente – Alice no país das maravilhas – e as divisórias dos filmes/capítulos são similares à capa. Contudo, não há algo inovador quanto a isso.
Todo o potencial que um artista do porte de Tim Burton foi pouco explorado. Para uma produção literária sobre um diretor de cinema, puramente um profissional do áudio-visual, há uma economia em imagens. Não sou favorável aos “livros com figuras”, porém é notável a falta que as imagens relacionadas às obras de Burton faz, principalmente quando o leitor não é um conhecedor das produções dele. É algo muito próximo à leitura de um livro sobre Disney sem imagens de seus desenhos clássicos. Volto a reforçar que essa pequena lacuna não compromete o conteúdo da obra e das pesquisas feitas.
Um dos pontos fortes do livro – são muitos, acreditem – é a entrevista com Tim Burton e Vincent Price, por ocasião do lançamento do filme “Vincent”, um curta-metragem sobre um menino solitário e incompreendido (essa descrição os faz lembrar de alguém?).
Então, após esses apontamentos, chego a uma conclusão: o livro é o que faltava para compreender melhor o diretor, suas obras e, principalmente, perceber o quanto Tim progrediu com o passar dos anos, superando críticas e mantendo o espírito de um garoto que tem o seu maior tesouro dentro de si mesmo, sua imaginação. Acertando ou errando, Burton é um dos poucos diretores que mantém sua essência desde o início da carreira. Ele evoluiu, certamente, e isso não fez com que sua criatividade fosse minimizada pelas imposições tecnológicas ou de mercado, usando-as como aliadas para transformar em filme o que antes só existia em sua mente.
Leitura obrigatória para quem é fã e para os que pretendem conhecer e, definitivamente, passar a admirar os trabalhos desse incrível diretor…Dados sobre o livro:
  • Editora: Leya
  • Autor: PAUL A. WOODS
  • ISBN: 9788580440263
  • Origem: Nacional
  • Ano: 2011
  • Edição: 
  • Número de páginas: 344
  • Acabamento: Brochura
  • Formato: Médio

28 abril, 2011

O Efeito Facebook - David Kirkpatrick

"O Efeito Facebook" conta a história do Facebook desde sua criação. Sem muitas enrolações aqui: conhecemos a trajetória dessa empresa que começou nos alojamentos de arvard e hoje faz parte de quase todas as pessoas que estão conectadas à internet. Sou viciada em mídias sociais, apaixonada por internet, usuária ávida do Facebook e amo livros-reportagens. Era de se esperar que eu ficasse completamente presa ao livro, mas, infelizmente, não rolou.
 
O fato é que eu não tenho o que reclamar do livro: a narrativa é fluida, a forma como o autor aborda os fatos é agradável e ele trata não apenas da criação do Facebook, mas nos situa no cenário da internet na época de sua criação. Kirkpatrick chega a citar o Orkut em sua narrativa, compara o Facebook a algumas redes sociais e comenta sobre as polêmicas e processos envolvendo a empresa. Tudo de forma elaborada, mas sem ter uma linguagem maçante.
 
Eu realmente não sei porque desisti de ler o livro. O abandonei no meio, embora estivesse com vontade de ler mais. Mas minha leitura ficou muito "picotada" - por diversos problemas pessoais, comecei e abandonei o livro diversas vezes. Quando vi, não tinha mais pique para continuar a lê-lo e resolvi abandonar. Não foi problema do livro, que fique claro. Mas para o meu momento, foi cansativo. Odeio leituras picotadas e quando picoto demais a leitura por falta de tempo, acabo abandonando o livro. Perco o ritmo e a "gana" de lê-lo.
 
Pelo que li, é bem diferente de Bilionários por Acaso, mas o que não se pode negar é que cada um tem seus méritos. Bilionários deve ser lido antes, assim você cria a visão humanizada dos protagonistas dessa história. Logo depois, pegue O Efeito Facebook e conheça a história de forma mais técnica.
 
Um ponto muito positivo do livro é a qualidade do material: a capa é linda e laminada, além das fotos que vem no livro terem sido impressas em papel diferente, para ficarem mais nítidas.
 
Pretendo retornar a ler o livro em breve, do início e em um fôlego só. Quando fizer isso, venho aqui e comento com vocês. Por enquanto, abandonei pelos motivos que citei acima. Mas se estava com vontade de ler, não desista. Todo mundo que leu amou e eu provavelmente vou gostar quando pegar para ler de volta. Só que o momento não anda propício...
 
 

22 abril, 2011

O professor titular do Departamento de Comunicação da Universidade de Nova York, Neil Postman, retrata neste livro, não só o tema determinado como o desaparecimento da infância, como também, de forma clara e concisa, documenta historicamente o surgimento e a consagração da infância como etapa importante do desenvolvimento humano.

Postman mostra claramente, que a infância como fase de desenvolvimento humano, da forma que a vivenciamos hoje, é uma descoberta recente, que surgiu na Renascença, após a revolução promovida pela palavra impressa que socializou a necessidade de alfabetização e hierarquizou o conhecimento por faixas etárias.

Essa demarcação do território do conhecimento dificultou o acesso a diversas etapas de informação à criança, de forma a ‘excluí-la e protegê-la’ de conhecimentos que só se destinava ao homem adulto, dando origem à infância.

A criança como é vista hoje não existia na idade média. Naquela época, eram vistas como homens em miniatura e eram expostos ao convívio de todo tipo de comportamento adulto, desde palavrões, assédios sexuais, enforcamentos e trabalhos forçados. Na outra extremidade, no entanto, haviam os homens-infantilizados, incapazes de se desenvolverem plenamente pela falta de acesso ao conhecimento escrito.

Mas não foi sempre assim. Na Grécia antiga e depois no Império romano, as crianças gozavam de tratamentos diferenciados e havia uma certa preocupação com sua formação moral, embora o conhecimento da linguagem escrita não fosse acessível a todos.

Com a invasão dos bárbaros do norte, o colapso do Império Romano, o sepultamento da cultura clássica e a imersão da Europa na chamada Idade das Trevas e depois na Idade Média, o conceito de criança deixou de existir por mais de trezentos anos.

No período a qual permaneceu extinta, a infância foi vítima de quatro aspectos importantes: o primeiro é o desaparecimento da capacidade de ler e escrever da população, devido ao uso restrito do alfabeto grego. O segundo ponto é o desaparecimento da educação, restrita aos escribas. O terceiro é o desaparecimento do sentido de vergonha, que com isso, passou a expor a criança a todo tipo de comportamento adulto, sem restrição. E o quarto, conseqüência dos três primeiros, é o próprio desaparecimento da infância, na idade média.

Com a invenção da tipografia de caracteres móveis, por Gutenberg, houve uma revolução e disseminação de toda forma de conhecimento escrito, através da publicação de livros e jornais, que determinou a necessidade de se criar escolas para dar aos jovens uma nova perspectiva do saber e do desenvolvimento humano.

O surgimento do conceito de criança, segundo Postman, trouxe consigo, inevitavelmente, o conceito de adulto e suas definições: adulto é aquele que possui o conhecimento. Criança é aquele que, protegido, ainda não alcançou o desenvolvimento necessário para apossar-se de todo conhecimento exposto ao adulto.

O conhecimento descrito nos livros era facilmente ordenado, de forma a ocultar dos mais jovens os segredos pertinentes ao mundo dos adultos, criando assim, etapas de desenvolvimento onde os jovens tinham acesso, na grande maioria das vezes, ao saber destinado à sua faixa etária. Surgiu assim o conceito atual de criança, jovem e adulto. Ser adulto significa então, ter acesso a segredos culturais codificados em símbolos não naturais.
No mundo letrado as crianças precisam transformar-se em adultos, apossando-se paulatinamente dos significados desses símbolos, de forma a terem ‘o tempo suficiente para deglutirem’ esse significado, criando assim, quando adultos, suas próprias convicções a respeito do conhecimento.

No mundo não letrado não há distinção de conhecimento, portanto, não há distinção entre criança e adulto, visto que, não há segredos a serem desvendados: a criança vivifica constantemente o mundo dos adultos, sendo ignorada por eles, como criança, deixando assim de existir.

O conhecimento exposto à criança através da forma escrita, paulatinamente ordenada, desenvolve sua capacidade de reflexão e de imaginação, criando um mundo particular, onde conhecer os segredos dos adultos aguça a curiosidade e cria o conceito de vergonha, sem o qual, não existe infância.

No período de 1850 a 1950 a infância se fortalece e se define, ocupando seu lugar na família e na sociedade.
No entanto, Postman defende neste livro a idéia de que, nesse mesmo período a ambiência simbólica que deu vida à infância começou a ser desmontada vagarosa e imperceptivelmente, determinando o início do seu fim.
Mais uma vez, a infância está desaparecendo. Postman aponta como ponto principal uma outra revolução: a da comunicação elétrica/eletrônica, iniciada com o telégrafo de Samuel Morse, onde a informação ganhou a velocidade da luz, culminando na televisão e em todos os meios eletrônicos de comunicação hoje existentes.

Até então, o conhecimento disseminado nos livros obrigava a criança a desenvolver sua capacidade de reflexão para compreendê-los, de forma a utilizar-se de todos seus aparatos de percepção e raciocínio lógico, numa forma sequencial e ordenada, distribuídos ao longo da vida por faixas etárias.

Isso não acontece quando uma criança assiste televisão. A TV utiliza-se do processo visual, o qual não necessita desenvolver nenhuma forma de conhecimento para usufruí-lo. Ela entrega tudo pronto, numa quantidade e velocidade em que é impossível para o ser humano criar e desenvolver qualquer conceito a respeito do que foi mostrado.

Outro ponto crucial é a não determinação de que tipo de conhecimento é apropriado para a criança ou para o adulto, eliminando assim, ‘os segredos’ dos adultos, sobre os quais as crianças só tinham acesso no decorrer do seu crescimento intelectual, não distinguindo o mundo dos adultos do mundo das crianças. Sem essa distinção, perde-se novamente o conceito de infância.

Postman exemplifica muito bem esse desvendar dos mistérios do adulto, pelos meios eletrônicos de comunicação quando afirma: que a mídia desempenhou importante papel na campanha para apagar as diferenças entre a sexualidade infantil e adulta. A televisão, em particular, não só mantém toda a população num estado de grande excitação sexual como também sublinha uma espécie de igualitarismo do desempenho sexual; de obscuro e profundo mistério adulto o sexo é transformado em produto disponível para todos – digamos, como um anti-séptico bucal ou desodorante para axilas.

A obrigatoriedade do consumo infantil, imposto pelos apelativos comerciais, os jogos de sedução, a exclusão do sentimento de ingenuidade e, por conseqüência, a adultificação da criança mostrada como pequenos adultos em diversas propagandas, a abolição tanto da moda infantil como também das canções e brincadeiras inerentes à idade, a ausência da mãe na educação dos filhos – imposta pelo mercado de trabalho feminino - a participação cada vez maior de menores em crimes, o constante crescimento do uso de drogas e de armas de fogo entre os mais jovens, a antecipação da puberdade feminina e a precoce iniciação sexual, a institucionalização e a profissionalização dos jogos infantis, a homogeneidade da linguagem, entre tantos outros motivos, comprovam que a infância está desaparecendo.

No entanto, não se faz necessário sermos doutores, psicólogos ou pedagogos para termos tal percepção. Basta-nos abrir as janelas e termos um olhar um pouco mais aguçado para nossas crianças para compreendermos o quanto as adultificamos com nossos atos cotidianos, ou até mesmo, e principalmente, com nossa indiferença.

“Ouça o silêncio daqueles que te cercam;
Há nele um grito que ecoa.
Ao ouvi-lo, entenderás como deves proceder em teu auxílio.
Caso não o ouça, faças tu o silêncio necessário.”
(Nivaldo Donizeti Mossato)

POSTMAN, Neil. O desaparecimento da infância. Rio de Janeiro: Graphia Editorial, 2006
Nivaldo Mossato
Publicado no Recanto das Letras

17 março, 2011

Como fazer uma resenha

Como um gênero textual, uma resenha nada mais é do que um texto em forma de síntese que expressa a opinião do autor sobre um determinado fato cultural, que pode ser um livro, um filme, peças teatrais, exposições, shows etc.

O objetivo da resenha é guiar o leitor pelo emaranhado da produção cultural que cresce a cada dia e que tende a confundir até os mais familiarizados com todo esse conteúdo.

Como uma síntese, a resenha deve ir direto ao ponto, mesclando momentos de pura descrição com momentos de crítica direta. O resenhista que conseguir equilibrar perfeitamente esses dois pontos terá escrito a resenha ideal.

No entanto, sendo um gênero necessariamente breve, é perigoso recorrermos ao erro de sermos superficiais demais. Nosso texto precisa mostrar ao leitor as principais características do fato cultural, sejam elas boas ou ruins, mas sem esquecer de argumentar em determinados pontos e nunca usar expressões como “Eu gostei” ou “Eu não gostei”.

Tipos de Resenha

Até agora eu falei sobre as resenhas de uma forma geral e livre e esses dados são suficientes para você já esboçar alguns parágrafos.

Contudo, as resenhas apresentam algumas divisões que vale destacar. A mais conhecida delas é a resenha acadêmica, que apresenta moldes bastante rígidos, responsáveis pela padronização dos textos científicos. Ela, por sua vez, também se subdivide em resenha crítica, resenha descritiva e resenha temática.

Na resenha acadêmica crítica, os oito passos a seguir formam um guia ideal para uma produção completa:
  1. Identifique a obra: coloque os dados bibliográficos essenciais do livro ou artigo que você vai resenhar;
  2. Apresente a obra: situe o leitor descrevendo em poucas linhas todo o conteúdo do texto a ser resenhado;
  3. Descreva a estrutura: fale sobre a divisão em capítulos, em seções, sobre o foco narrativo ou até, de forma sutil, o número de páginas do texto completo;
  4. Descreva o conteúdo: Aqui sim, utilize de 3 a 5 parágrafos para resumir claramente o texto resenhado;
  5. Analise de forma crítica: Nessa parte, e apenas nessa parte, você vai dar sua opinião. Argumente baseando-se em teorias de outros autores, fazendo comparações ou até mesmo utilizando-se de explicações que foram dadas em aula. É difícil encontrarmos resenhas que utilizam mais de 3 parágrafos para isso, porém não há um limite estabelecido. Dê asas ao seu senso crítico.
  6. Recomende a obra: Você já leu, já resumiu e já deu sua opinião, agora é hora de analisar para quem o texto realmente é útil (se for útil para alguém). Utilize elementos sociais ou pedagógicos, baseie-se na idade, na escolaridade, na renda etc.
  7. Identifique o autor: Cuidado! Aqui você fala quem é o autor da obra que foi resenhada e não do autor da resenha (no caso, você). Fale brevemente da vida e de algumas outras obras do escritor ou pesquisador.
  8. Assine e identifique-se: Agora sim. No último parágrafo você escreve seu nome e fala algo como “Acadêmico do Curso de Letras da Universidade de Caxias do Sul (UCS)”

Na resenha acadêmica descritiva, os passos são exatamente os mesmos, excluindo-se o passo de número 5. Como o próprio nome já diz, a resenha descritiva apenas descreve, não expõe a opinião o resenhista.
Finalmente, na resenha temática, você fala de vários textos que tenham um assunto (tema) em comum. Os passos são um pouco mais simples:
  1. Apresente o tema: Diga ao leitor qual é o assunto principal dos textos que serão tratados e o motivo por você ter escolhido esse assunto;
  2. Resuma os textos: Utilize um parágrafo para cada texto, diga logo no início quem é o autor e explique o que ele diz sobre aquele assunto;
  3. Conclua: Você acabou de explicar cada um dos textos, agora é sua vez de opinar e tentar chegar a uma conclusão sobre o tema tratado;
  4. Mostre as fontes: Coloque as referências Bibliográficas de cada um dos textos que você usou;
  5. Assine e identifique-se: Coloque seu nome e uma breve descrição do tipo “Acadêmico do Curso de Letras da Universidade de Caxias do Sul (UCS)”.

Conclusão

Fazer uma resenha parece muito fácil à primeira vista, mas devemos tomar muito cuidado, pois dependendo do lugar, resenhistas podem fazer um livro mofar nas prateleiras ou transformar um filme em um verdadeiro fracasso.

As resenhas são ainda, além de um ótimo guia para os apreciadores da arte em geral, uma ferramenta essencial para acadêmicos que precisam selecionar quantidades enormes de conteúdo em um tempo relativamente pequeno.

Agora é questão de colocar a mão na massa e começar a produzir suas próprias resenhas!


Fonte:  Lendo.org

06 fevereiro, 2011

Resenha: “Tempo dos anjos”, de Anne Rice

Livro: Tempo dos anjos
Série: Songs of the Seraphim
Autor (a): Anne Rice
Páginas: 279
Editora: Rocco
Resenha por: Patoka
Tempo dos anjos apresenta um assassino de aluguel, Toby O´Dare, que um dia, logo após cometer um crime, recebe a visita de seu anjo da guarda, Malchiah, oferecendo a ele a chance de se redimir de seus pecados.
O´Dare, que um dia aspirou entrar para o seminário, mas teve sua vida virada pelo avesso após uma tragédia pessoal e tornou-se um homem frio, inicia então uma viagem no tempo, sendo levado à Inglaterra do século XIII, onde torna-se protetor de um casal judeu erroneamente acusado de ter assassinado a própria filha, convertida ao cristianismo. Repleto de reflexões morais e religiosas e dotado de magnífica reconstrução histórica, Tempo dos anjos aborda, com a narrativa envolvente de Anne Rice, a dificuldade humana para conciliar amor, fé e razão.
A impressão que se tem ao ler “O tempo dos anjos” é que você está lendo três livros diferentes. Por isso, acho que é mais fácil entender se dividir o exemplar em partes:

A primeira parte é narrada por Lucky, a raposa. Um matador de aluguel, nitidamente pertubado. É difícil entender direito o que está acontecendo, onde ele está e o que está prestes a fazer. Tudo é contado com frases soltas, divagações, repetições excessivas de palavras e você chega a pensar que Anne Rice perdeu a mão.

Não vou contar porque ou como se chegou a isso, mas a segunda parte é contada pelo serafim Malchiah, um anjo enviado por Deus para fazer uma proposta a Lucky. Malchiah narra então a vida de Toby e como ele se tornou Lucky, a raposa. Parece que estamos lendo um livro diferente: vocabulário vasto, cadência perfeita de tempo, calma na narrativa, conhecimento dos fatos … exatamente como seria a narrativa de um ser de inteligência infinita.

Aí vem a terceira parte: a missão de Toby. O matador é levado à Inglaterra do século XIII, para ajudar um casal de judeus a alcançar a justiça. Um dos pontos fortes desse pedaço é a pesquisa dos acontecimentos da época, onde os judeus trocavam proteção por terras e ouro. Dessa vez, a narrativa é variada. O protagonista, nitidamente mais calmo e com clareza de seus objetivos, consegue narrar os fatos com inteligência e astúcia. Em outras, onde ele está confuso com seu papel na missão, desliza nas palavras e se embola. 

Como disse no início, as vezes você esquece que as partes anteriores são pertecentes a mesma história. A diversificação dos métodos de narração no começo pode confundir o leitor, mas a medida que você avança na leitura, percebe que foi uma tática bem empregada da autora, onde cada fala representa um personagem ou pelo que ele está passando. Vale frisar que o livro possui capítulos longos, o que pode dar uma certa lentidão a narrativa.

Mais um livro com a habilidade literária de Anne Rice. Uma genialidade que parece não ter fim. Quando você acha que já leu tudo que a autora poderia oferecer, ela te surpreende com uma história totalmente diferente, cheia de lições de moral e indagações religiosas! Não deixem de ler a “Nota da autora” no final do livro.

03 fevereiro, 2011

Resenha: Neon Azul

Escrito por Ana Carolina da Silveira
Autor do Livro: Eric Novello

       A Literatura é uma coisa só, colocando debaixo de seu guarda-chuva todos os gêneros, sem preconceito por este ou aquele. Alguns dos clássicos universais são fantásticos, outros são thrillers, outros romances psicológicos, outras narrativas simples daquilo denominado como “mainstream”.
       Mainstream, nesse contexto, significa mais ou menos a linha mestra principal, geral e genérica de uma manifestação artística. É o romance que não pertence a um gênero e o que se costuma definir erroneamente como toda a literatura.
       Quando se está perto do gênero, parece que existe a dicotomia entre ele e o mainstream ( para ficar em minhas preferências pessoais, literatura fantástica ), que são ideias imiscíveis como água e óleo, como polos iguais de um ímã que se repelem. Só que essa dicotomia não existe: mainstream e gênero se complementam, se tocam, se influenciam.
       Não é apenas a boate que dá titulo ao romance Neon Azul que está no limiar entre o mundo real e o sonho: o livro também está entre o mainstream e a fantasia. É o diálogo entre o gênero e a generalidade, um romance fantástico com toques do noir e do contemporâneo – ou um romance noir e contemporâneo com toques fantásticos? Fica para o leitor decidir.
       O romance tem a estrutura fix-up, ou seja, são contos independentes entre si, que podem ser lidos em qualquer ordem e que se encerram em si mesmos, mas que lidos em conjunto formam uma trama. O livro trata da história da Neon Azul, uma boate diferente perdida no centro do Rio de Janeiro, e cada conto trata da vida de uma pessoa que orbita o bar, seja funcionário ou cliente.
       O Neon Azul parece atrair pessoas perdidas – tanto aquelas sem rumo quanto as que encontraram o rumo da perdição. É como se o bar estivesse naquele limiar entre o real e o sonho, onde o impossível acontece de forma natural e onde as coisas mudam de forma se você para de prestar a atenção nelas. O Neon tem a lógica dos sonhos, onde os desejos se tornam intensos e estão ao alcance de um toque – entretanto, aqui, há um preço a se pagar pela satisfação da vontade.
       Os contos são noir e, ao contrário do humor irônico de Histórias da Noite Carioca, aqui a melancolia é onipresente, bem como a sensação de aniquilação e de fatalidade. Não é um livro sobre escolhas fáceis ou finais felizes e redentores, mas sobre aqueles que já perderam tudo – o orgulho, a saúde, a sanidade. Há também aqueles que querem entrar num mundo que glamourizam, mas que mostra todos os seus tons de negro à medida em que se aprofundam.
       Talvez o conto de abertura seja aquele que mais destoe dos outros: a solução do conflito é uma catarse parecida com aquela do filme Dogville, solução essa que não ocorre da mesma forma nos outros contos. Não são contos para estômagos fracos e sensíveis – sexo, drogas, assassinato, desejos perdidos e encontrados.
       A parte fantástica é bem sutil, apesar de onipresente (e tenho no mínimo três teorias pessoais para a identidade d’O Homem). Tempo e espaço são apenas convenções que podem ser facilmente burladas, pessoas atravessam espelhos e guardam seres mágicos em garrafas. E o fantástico aqui é real, não metáfora ou fábula. Faz parte e compõe o universo onírico do bar. Por isso, talvez seja muito mais mainstream com toques fantásticos do que fantástico escrito com a contemporaneidade mainstream.
       É uma leitura altamente recomendada e, sinceramente, o melhor livro que li este ano (sorry, mr. Gaiman).


Ana Carolina da Silveira escreve regularmente no seu blog Leitura Escrita, onde publica uma coleção de suas impressões e pensamentos sobre aquilo que foi lido, escrevendo de um tudo, mas com frequência maior às obras da literatura gênero.